segunda-feira, 23 de julho de 2012

“A Maçonaria é, às vezes, chamada Arte Real”.



     “O Mestrado constitui o terceiro e último grau da Maçonaria Simbólica ou Azul”.
Teoricamente, pelo menos, o Mestre possui todos os 'SEGREDOS' da Arte Real e tem capacidade para pô-los em prática.
     "A resposta, como aliás quase todas as respostas a muitas questões levantadas em nossa Ordem, dificilmente pode formular-se de modo exato, tão grandes as divergências entre autores maçônicos.
     "O Ir.'. Gedalge, por exemplo, opina da seguinte maneira: 'A prática do processo iniciático tem sido provavelmente chamada Arte Real porque faz do iniciado um Rei, um Mestre de si mesmo e da natureza'.
     Porém, muito mais materialista, o nosso Ir.'. Henry Gray se expressa de outra forma: 'Os canteiros tinham trabalhado para levantar obras primas por conta dos reis e dos príncipes da Igreja. Por mais que estivessem desprovidos de instrução, como se pode imaginar na Idade Média, as suas tradições escritas não os deixavam na ignorância de que tinha sido sempre assim em todos os tempos e em todos os povos em que reis e sacerdotes honraram a arquitetura. Por isso, a expressão ARTE REAL, que serve para designar a Franco Maçonaria*, aplica-se na realidade à ARTE DE CONSTRUIR'. Depois, como se quisesse mitigar um pouco o absoluto desta afirmação e atenuar algumas teses que lhe eram estranhas, o mesmo autor acrescentar: 'Os amadores de CIÊNCIAS OCULTAS** pretendem que estas Ciências tenham sido apanágio exclusivo dos reis e sacerdotes da Antiguidade, e que, por terem estas Ciências encontrado abrigo na Maçonaria, esta mereceu ser chamada Arte Real***'.
     "Esta explicação não peca por carência de espírito, e concordamos com o nosso Ir.'. Henry Gray até certo ponto. Entretanto, comentando o Ir.'. Rebold, o mesmo autor observa que Carlos II, no exílio, foi recebido como MAÇOM. Restaurado o trono em 1660, o novo Rei da Inglaterra assinalou o seu reconhecimento para com a Maçonaria, conferindo-lhe o título de Arte Real.
Esta nova explicação, por muito coerente que seja é, entretanto, por demais 'PARTUCULARIZADA' para ser aceita sem mais nem menos, em se tratando de ORDEM UNIVERSAL.
     "Por seu lado, o Ir.'. Plantagenet vislumbra-nos Rosa-Cruzes os verdadeiros fundadores da MAÇONARIA ESPECULATIVA****.
Baseando-se nesta hipótese, sustentável, aliás, o referido Ir.'. e autor de belas Livros em relação a nossa Ordem, opina, ainda que, para os Rosa-Cruzes, a Arte Real podia ser apenas a arte de governar sob o signo do VERBO-SOLAR, isto é, não pela força, porém pelo espírito, não as nações, mas sim a humanidade, não no infinito do Cosmos, mas dentro do quadro restrito do mundo terrestre. Atribuiu então a Arte Real à Maçonaria, porque o exercício do poder tinha levado os reis à corrupção e, porque o DIREITO DIVINO, sobre o qual se baseavam os seus privilégios, não era mais de que mera fórmula desprovida de qualquer realidade desde o dia em que deixou de ser expressão profana de uma sabedoria vivente, adquirida por iniciação.
     "Outra explicação da expressão Arte Real é-nos dada pelo Ir.'. Oswald Wirth: 'A lenda faz remontar até Salomão a origem da Maçonaria***** A arte dos maçons tornou-se assim Arte Real, pelo qual se interessaram numerosos reis, tomando exemplo sobre o construtor do Primeiro Templo de Jerusalém. Tal era a opinião dos antigos maçons que, fazendo bem alta ideia da arquitetura prática, perderam de vista uma arte de construir mais generalizada, de ordem moral e intelectual. Contudo, o que se afirma ARTE por excelência ou ARTE REAL é a arte sutil da construção universal de belas obras'.
     “De qualquer forma, a expressão Arte real aplicada à Maçonaria simboliza lhe a transcendência”. Ao mesmo tempo, salienta a necessidade de trabalhar com afinco, a fim de conseguir a perfeição.
      "O Ir.'. Jorge Buarque Lira, em sua Obra Prima "A MAÇONARIA E O CRISTIANISMO", capítulo Glossário Maçônico e significação dos seus principais símbolos e alegorias, edição de 1946, acerca de ARTE REAL diz-nos apenas isto: 'Classificação honrosa que se dá à Maçonaria.'.

      P.S. *Sociedade cujos ensinamentos  são simbólicos e iniciatórios.
      **Maçonaria.
      ***Em virtude de muitos Reis terem iniciados na Maçonaria.
     ****Franco-Maçonaria fundada em Londres (Inglaterra) em 24 de junho de 1717 nos Três Primeiros Graus.
      *****Salomão como MAÇOM foi o Rei que mais trabalhara em prol da Maçonaria. Porém, antes dele, outros Reis já trabalhavam tentando melhorar cada vez mais a Maçonaria como:  Arfaxade (nascido após o Dilúvio) Hamurabi (Rei babilônio Autor do célebres CÓDIGOS DE LEIS), Naor, Serugue, Tera, Reú, Eber, Hirão, Rei de Tiro, Menés, Zozer, Amenemate III (construiu o Templo de SERABITE NO SINAI, (Egípcios) Ninrode, Sargão I, José, Moisés, David e MELQUISEDEQUE Rei-Sacerdote de Salém (JERUSALÉM) Uma tradição HEBRAICA diz que ele era SEM, o filho mais velho de Noé sobrevivente do dilúvio ainda vivo, então o homem mais velho da época, Sacerdote, na era patriarcal, de toda a raça humana. etc... etc... e etc.

Bandeira Pirata dos Templários


 
 A história da Ordem dos Templários já foi mencionada em diversos livros e é do conhecimento da maioria dos maçons. Resumindo, podemos dizer que teve um grande poder, um enorme prestígio, acumulou uma grande quantidade de conhecimentos e técnicas, principalmente referentes à navegação, além de uma incontável fortuna.
A maioria sabe, também, que o Símbolo representado por um crânio (ou caveira) sobre duas tíbias cruzadas pertence à Ordem dos Templários. Inclusive, quem teve a felicidade de ter assistido a palestra proferida pelo nosso querido Irmão Jamil El Chehimi (hoje no Orinte Eterno) sobre esse assunto, viu claramente esse Símbolo.
Condensando um capítulo do livro “Regnum” do Ir.:Carlos Alberto Gonçalves – Editora “A Trolha”, citando o historiador Juan Atieza, temos o que segue abaixo:
“A Ordem dos Templários nasce, desenvolve-se, alcança seu zênite, decai e desaparece após um período de duzentos anos (1118 – 1312).”
“O Rei Felipe, que já vinha desviando seus olhares e sua cobiça para o imenso patrimônio e a enorme fortuna templária em solo francês, contava com as condições perfeitas para levar  a cabo suas idéias e executar o seu ambicioso plano: A extinção da ordem dos Templários, com o apoio do Papa.”                       
“Na noite de 13 de outubro de 1307, Felipe desencadeou um forte ataque surpresa a todas as dependências templárias francesas, capturando 15 mil homens, além do seu Grão Mestre Jacques de Molay e sua guarda de 60 homens. Porém, apesar dos esforços de Felipe, nem todos os templários foram aprisionados, tendo logrado escapar 24 homens e toda a frota naval templária existente em portos franceses.”
Afinal que aconteceu com essa frota que navegou para locais desconhecidos? Muitos historiadores concordam que tenha incorporado as frotas portuguesas (talvez pela afinidade entre Portugal e a Grã Bretanha) e as frotas Escocesas.
Baigent e Leigt, em “O Templo e a Loja” afirmam:
“a frota templária escapou em massa dos diversos portos do Mediterraneo e do norte da Europa e partiu para um misterioso destino onde poderia encontrar asilo político e segurança. Esse destino seria a Escócia, via Portugal, onde uma parte dela seria incorporada.”
“coincidência ou não, a pirataria européia começou nessa época e seu padrão sugere que muitos piratas não eram meros flibusteiros que atacavam qualquer um, mas “piratas” muito curiosos que limitavam sua atenção aos navios do Vaticano e outros, leais ao catolicismo (espanhóis, franceses, italianos, etc)”
“quando a Inquisição espanhola foi estabelecida no Novo Mundo, depois de 1492, os “piratas templários” estenderam seus ataques ao Caribe e, até mesmo, aos portos do pacífico, do Peru e do México, tudo em nome de uma guerra naval que foi travada por mais de 200 anos.”

 
 
M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto

domingo, 22 de julho de 2012

VULTOS ANÔNIMOS DA AMAZÔNIA

DOM JOSÉ LOURENÇO DA COSTA AGUIAR, 1º BISPO DO MAZONAS.

       Dezenas, centenas e milhões de CEARENSES foram para o Amazonas em busca de dias melhores; outros com o intuito de povoar essa imensidão de terra desabitada que necessitava de um ser forte que pudesse domá-la e, este ser, sem dúvida alguma, seria o bravo povo CEARENSE que, coadjuvado com outros nordestinos DESTEMIDOS sobrepujaram as indomáveis Lendas Amazônicas. Porém, outros vieram para sentir de perto o crescimento desse Estado e fazer parte de sua história e seu crescimento. Mas, Dom José Lourenço da Costa Aguiar veio sentir de perto a alma bruta de seus indomáveis IRMÃOS CEARENSE, veio ver de perto os músculos fortes desse povo  e sentir bem próximo o coração amável de seus conterrâneos, através da fé.
     “Dom José Lourenço da Costa Aguiar, 1º Bispo do Amazonas, nasceu a nove de agosto de 1847, em Sobral, na antiga Província do Ceará”.
     “Foram seus pais o negociante Bom ventura da Costa Aguiar e Dona Joana Virgínia de Paula Aguiar, ambos, muito piedosos”.
     “Dom Lourenço foi, assim, criado num meio profundamente católico que lhe haveria de inculcar, bem cedo, o espírito da vida eclesiástica”.
     “Em Sobral (norte do Estado do Ceará) fizera os seus estudos primários e o começo do secundário”. Em 1866, seguiu para Fortaleza (Capital do Estado) em cujo afamado seminário se matriculou no 4º ano do curso, pois precisava apenas prosseguir, nos dois restantes. Distinguira-se na aplicação e no comportamento, sobretudo nas línguas portuguesa e latina.
     Ao concluir o 5º ano do seminário, fizera seus estudos de Teologia, recebendo TONSURA*. Continuando seus estudos, foi investido na ORDENAÇÃO** de subdiácono em 1868 e, sucessivamente de diácono e presbítero*** em 1869 e 1870.
     "Regressando à sua terra natal, para visitar parentes e amigos, a 8 de dezembro, daquele último ano, cantou a sua 1º Missa.
     “Na personalidade do jovem sacerdote, estava encarnada a de um filantropo”. Foi o que se verificou durante os calamitosos anos de 1877 e 1878, no Ceará, quando memorável estio devastou os sertões Nordestinos, pela fome e pela sede. Dom José Lourenço da Costa Aguiar ofereceu serviços ao governo, e praticara prodígios de atividade, na assistência aos infelizes. Ao sacerdote-modelo fora conferido o cargo de Cônego da Sé****, na capital do Estado do Ceará, Fortaleza.
     “Entretanto na política, fez-no Deputado Estadual, depois, deputado geral, na última legislatura do Império”. No Parlamento, sua voz era uma das mais ouvidas, quer pela eloquência, quer pelos objetivos das reivindicações. Homem habituado ao púlpito e às coisas divinas, seus apelos, deste logo, estavam bafejadas pela vitória.
     “Fôra nomeado Vigário-Geral do Pará e do Amazonas”. Era um posto muito elevado e de prestígio oficial, tanto mais que se tratava de uma função do governo, em face do povo.
     “Em consequência dos progressos realizados na Província Eclesiástica do Grão-Pará, era de esperar o seu desdobramento, com a criação do Bispado do Amazonas, mesmo atendendo à impossibilidade da jurisdição de tão vasto território a cargo de um só pastor”.
     "O Grande Papa, que foi Leão XIII*****, bem teria sido informado dessa necessidade, por intermédio de Dom Lourenço de Aguiar, de quem era muito amigo. Inevitavelmente, isso aconteceu. E não quer dizer outra coisa a BULA AD UNIVERSAS ORBIS ECCLESIAN, de cinco de maio de 1892, que o Sumo Pontífice decreta:
     “Para a nova Diocese” do Amazonas desmembramos, por autoridade apostólica para sempre o território do Estado desse nome, da Diocese de Belém, ao qual pertencia, o damos perpetuamente a Sé e a Cadeira Episcopal de Manaus, e elevamos à dignidade de Igreja Catedral a Igreja dedicada à Mãe de Deus Imaculada.
    “Dom José Lourenço da Costa Aguiar foi o primeiro Bispo do Amazonas, 14 de março de 1894”. 'A Sagração de Monsenhor José Lourenço da Costa Aguiar efetuou-se na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, de Petrópolis, sendo sagrado Dom Frei Jerônimo Maria Gatti, Internúncio Apostólico, e assistente o Bispo de Aegos, Dom Joaquim Arcoverde, e o de Niterói, Dom Francisco do Rego Maria.
     “A nomeação do notável Doutor da Igreja impunha-se por excelsa relevância espiritual, despertando grande entusiasmo, no seio de todas as classes sociais da Amazônia”. Como prova da assertiva, a 25 de maio do mesmo ano, 1894, um número especial de periódico 'Estado do Grão-Pará', de Belém, em forma de OLIANTEIA******, homenageou o novo Príncipe da Igreja, Nesse número, encontram-se várias apreciações consagradoras, inclusive uma exaustiva biografia do sacerdote. Em páginas memoráveis do arquivo do Professor Temístocles Pinheiro Gadelha.
     “Dom José Lourenço da Costa Aguiar, já sagrado em Petrópolis, instala solenemente seu bispado em Manaus, Amazonas, a 18 de junho de 1894”. Um de seus primeiros atos foi à nomeação do Monsenhor Francisco Benedito Coutinho, para Vigário-Geral do bispado.
     “Dom José Lourenço da Costa Aguiar era um homem erudito”. Dizem-nos os seus livros, em números reduzidos e pouco extensos, mas substanciosos, quanto se possa imaginar na altura e na densidade dos pensamentos.
     "Não é preciso ser profundo conhecedor do NHEENGATU******* ou tupi do norte, para se verificar a facilidade com que usa esse idioma, no seu 'CHRISTO MUHENÇÁUA', ao verter, do vernáculo, as principais doutrinas do credo cristão. Mas para fazê-lo, ensaia listas de palavras tupis com as suas correspondentes no português. Vejo, nesse artífice didático, um duplo sistema de ensinar a língua e a doutrina (Christu Muhençãua). (Doutrina Cristã, 1898).
     “Trata-se de uma obra curiosa pela sua extrema intuição”. É certo que o tupi se prestou para tanto, quando sabemo-la tão curiosa no artificialismo de sua aglutinação. Primitivamente monossilábica, como foi possível manter a unidade da contextura através das gerações e no maior espaço geográfico da usança?
     "É notório que esse fenômeno da filologia deveria ter seduzido Dom José Lourenço da Costa Aguiar a dedicar-se à língua que já havia, bem antes, arrastado José Martiniano de Alencar (seu conterrâneo cearense), Gonçalves Dias, Barbosa Rodrigues, Couto de Magalhães, etc. 'O Christu Muhençáua' merece divulgação, para perpetuar o idioma de Ajuricaba********.
    “Dom José Lourenço da Costa Aguiar escreveu outro opúsculo que se intitulou ‘Memoriale Confessorium’, Roma (Itália) 1899, todo em latim; trata-se de um código de ética do Sacerdote, contendo 124 itens ou sentenças”. Qualquer plataforma ou carta pastoral de um Bom Pastor não poderá fugir ao sentido do seu pensamento contextual. Como não poderia ser de outra forma, a filosofia do grande diocesano une a Religião à Moral, como duas irmãs inseparáveis. Publicação de subido valor, de 62 páginas, é a sua Pastoral lida na solene inauguração da nova Diocese do Amazonas, em Petrópolis a 11 de março de 1894. É uma peça antológica que se lê e relê, sem fastígio.
     “Dom José Lourenço da Costa Aguiar faleceu em Lisboa (PORTUGAL), a 21 de abril de 1905”. Seus restos mortais foram transladados para Manaus (AMAZONAS), sendo depositado numa cripta de mármore, ao lado direito de parte interna, da entrada principal da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, Padroeiro do Amazonas. Repousa, assim, no Templo em que, por tantas vezes, sua voz, do altar e do púlpito, ECOOUUUUUU, pedindo a Deus, mercês para o Amazonas, para o Brasil e para a humanidade.


             * Coroa de clérigo.
             **Colocação de Ordens Eclesiásticas.
             *** Padre, Sacerdote, Bispo.
            **** Dignidade Eclesiástica, religioso que vive segundo um Cânon.
            *****Como Papa - (1878-1903).
            ******Coleção de escritos em homenagem a homem ilustre.
            *******Língua Geral que falava a maioria das Tribos Indígenas da Amazônia.
            ********Herói Indígena Amazônida da FEROZ TRIBO dos MANAÓS do médio-alto Rio Negro (AMAZONAS).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

VULTOS ANÔNIMOS DA AMAZÔNIA


  CARLOS STUDART - UM CEARENSE DE OURO NO AMAZONAS

      “Carlos “Studart, que viveu no Amazonas por muitos anos, nasceu em Fortaleza Ceará” a 28 de março de 1862”. Era filho de John Uilliam Studart, um inglês que viera de sua terra para o Brasil quando tinha onze anos de idade, identificando-se com o Brasil por toda a vida, dedicada ao comércio.
     "William Studart casou-se com brasileira, seus filhos, instruídos, se tornaram em homens notáveis nas ciências, nas indústrias e no comércio, destacadamente Guilherme Chambly Studart, de renome  continental pelos grandes serviços à cultura e à humanidade, mais conhecido pelo designativo honorífico - Barão Studart.
     “Carlos Studart ficou órfão de mãe aos cinco anos de idade”. Seu pai convolou novas núpcias com a cunhada, Dona Augusta de Castro Studart, sob cujos cuidados, inclusive educação fica o sobrinho e enteado. Convém registrar o carinho e a capacidade da madrasta tia, no ensinar-lhe as primeiras letras.
     “Adolescente ainda, Carlos Studart faz sentir aos pais que desejava começar a vida, trabalhando no comércio”. Obtém permissão para seguir rumo a Pernambuco, sob orientação do Cônsul inglês, no Recife (Pernambuco). Ali aportando, emprega-se ao serviço de uma firma que transitava com fazendas.
     “É preciso recordar que, à época, a primeira colocação de um rapaz, num estabelecimento comercial, era o de CAXEIRO-VASSOURA, fosse ele filho de um plebeu ou de um fidalgo”. Era tratado com rigor, chegando ao ponto de o caixeiro graduado,
aquele que não mais pegava no espanador, nem no cabo da vassoura, nem conduzia, nas costas ou na cabeça grandes embrulhos pelas ruas, não dar trela ao seu colega de categoria inferior. CAXEIRO-VASSOURA era um criado sem categoria. Pois foi por esse emprego que Carlos Studart começou, em Recife, Pernambuco.
     “Seu ofício consistia em fazer a limpeza da casa e conduzir, às residências dos fregueses ou às lojas de negócio, os fardos de fazenda que haviam comprados”. Carlos Studart, que era um moço franzino, não se podia queixar, nem do peso esmagador, nem das longas distâncias. Não adiantava mudar de estabelecimento, nem de cidade. O regime era duro, em contraste com o trato na residência de sua família. A experiência lhe tinha sido adversa e acendido, em sua alma, a explosão de uma revolta e o amor de sua independência. Resolve regressar a casa paterna (Fortaleza - Ceará), não como filho pródigo da fábula que dera um salto no escuro, mas cheio daquela experiência, que se lhe transformou em lição. Foi indescritível a alegria com que o receberam em sua casa.
     “Nessa ocasião, corre uma reviravolta nos negócios de John William Studart, levando-o quase a falência”. Hábil timoneiro contorna a adversidade, pondo em ação seu barco. Têm-se visto que, no curso da história, AS DESGRAÇAS SÃO GÊMEAS. Assim foi para a família Studart: faleceu o seu chefe John William Studart, a 20 de fevereiro de 1878, em Fortaleza, Ceará, com a idade de 59 anos. Carlos Studart segue para Salvador (Bahia), em cuja Escola de Medicina seus irmãos acabavam de receber as láureas do estabelecimento. Sua estada ali lhe ensejou estudar e realizar seus preparatórios vestibulares. No interim, apareceu-lhe uma ideia nova: a de ser militar. No pressuposto, Carlos Studart viaja para o Rio de Janeiro, a fim de ingressar na Escola Militar.
     "Recém-chegado ao Rio de Janeiro, diz o seu filho e biógrafo, General Carlos Studart Filho, ardentemente desejava alistar-se, cadete. Estava, porém praticamente só naquela grande e estranha cidade, sem apoio, nem amigos que o orientassem, na consecução de seus projetos; os parentes, em cuja casa se hospedara, não viam com os bons olhos a esdrúxula inclinação do moço estudante pela carreira das armas e, por isso, não queriam dar-lhe o auxílio de que tanto carecia. Em tão aflitivo momento, resolveu valer-se do General Osório, então Ministro da Guerra do Gabinete Sinimbu. Procura em sua residência e lhe expõe os seus anelos. Velho e benemérito militar ouviram-no com bondade e logo procurou dissuadi-lo desse propósito, fazendo ver a insensatez dos seus sonhos e toda a grandeza da pretensão. Havia poucas vagas no modelar estabelecimento do ensino, e estas se designavam a filhos e protegidos dos altos figurões do Império (NAQUELA ÉPOCA JÁ EXISTIA TÃO SÓRDIDA BANDALHEIRA). Ele, um provinciano bisonho, sem padrinhos, nem boas amizades na Corte, que poderia esperar? (Meu Pai", p. 116).
     "Diante dos fatos, tendo gasto cerca de três anos em tentativas frustradas, Carlos Studart regressa a Salvador (Bahia) e matricula-se na Escola de Medicina*, realiza o curso de Farmácia, diplomando-se em 18 de setembro de 1882. Munido de seu diploma, retorna a Fortaleza (Ceará), onde funda a FARMÁCIA STUDART, no centro comercial da cidade, a poucos passos da, já então famosa, Praça do Ferreira**.
     “Quando Carlos Studart se retirou de Salvador (BA) para Fortaleza (CE), lá deixara um compromisso de casamento com Dona Maria Elvira Morais, o que cumpriu, em Salvador, em 1883”. Mas foi um enlace transitório, pois Dona Maria Elvira de Morais Studart veio a falecer, em Fortaleza, a 12 de setembro de 1884, sem descendentes.
     "Carlos Studart contrai novas núpcias com sua prima Dona Maria da Fonseca Pereira, filha do comerciante Capitão Antônio Joaquim Pereira. Deste seu matrimônio, houve os seguintes filhos: Arthur Pereira Studart, farmacêutico, bacharel em direito, médico e industrial, nascido em Fortaleza a 4 de maio de 1886, e que a 30 de junho de 1910 se consorciou com a prima Dona Leonísia da Cunha Studart; Hilda Pereira Studart, viúva do bacharel em direito, José Maria Corrêa de Araújo, nascida em Fortaleza a  10 de novembro de 1887 e falecida, no Rio de Janeiro (RJ) em novembro de 1961; Beatriz Pereira Studart, viúva do bacharel em direito José Alves de Souza Brasil, nascida em Fortaleza a 19 de dezembro de 1891 e Carlos Studart Filho, doutor em medicina e general professor, nascido em Fortaleza a 17 de junho de 1897, casado a 13 de novembro de 1924 com Dona Neusa Dinoá da Costa. ("Meu Pai", p. 18).
     “Carlos Studart” casou-se pela 3º vez, sendo sua esposa Dona Francisca Rodrigues das Neves, de quem teve uma filha, Dona Emília Studart; “Tomando parte nas atividades políticas no Ceará, entregue a gerência da FARMÁCIA STUDART a um seu primo e, logo, percorre o interior da Província em propaganda partidária e abolicionista, às vezes correndo o risco das tocaias”.
     “Com os lucros de sua farmácia, aproveita os ensejos e adquire propriedades, no sertão”. Durante cerca de três anos de andanças, esquadrinhou muitos Municípios, até regressar definitivamente à capital (Fortaleza).
     “Não lhe interessava cargos públicos”. Certa ocasião, todavia, aceitou a função de Preparador de Química, no tradicional Liceu do Ceará e os trabalhos de farmacêutico da CENTENÁRIA Santa Casa de Misericórdia.
     “A Amazônia, no último decênio do século XIX e no do passado, era a Gioconda do Brasil.”. O Nordeste movia-se rumo às florestas do Rio-Mar (Rio Amazonas).
     “Carlos Studart resolveu partir com a família”. Ia enfrentar o incógnito da terra misteriosa e acolhedora.
    "Deixa Fortaleza a 4 de junho de 1889 e aporta em Manaus (AM) em 12 do mesmo mês. Não era um retirante forçado pela MAZELA DA SECA que sempre assolara o Nordeste brasileiro que ali chegava, mas um voluntário do destino, que não tinha as algibeiras vazias. Saltando, viu que pisava em terra firme, cercada de gente de expressão acolhedoras (100% de cearenses seus conterrâneos), que lhe fizeram aumentar e vibrar as esperanças. Chegou, viu e haveria de vencer.
    “Semiambientado, sobretudo no seio da numerosa “COLÔNIA CEARENSE”, cruza o centro da cidade, num época em que se iniciativa o RUSH da valorização da BORRACHA”. Encontra na esquina da florescente Av. Eduardo Ribeiro e da Rua Municipal, mais tarde Av. Sete de Setembro***, o ponto estratégico para assentar a base dos seus esforços e, aí, instala a FARMÁCIA STUDART, homônima daquela que fundara  e deixara em Fortaleza (CE). Estava montado a cavaleiro para as lutas do comércio e da riqueza.
     “O estabelecimento vivia abastecido de “drogas” nacionais e estrangeiras, de que havia de mais moderno e acreditado”. A FARMÁCIA STUDART não havia mãos a medir nas preferências de uma grande freguesia.
     “Carlos Studart prosperou rapidamente”. Sua residência particular enchia-se de conterrâneos (CEARENSES). Com a franqueza que lhe era habitual, sua mesa de refeições, máxime nos domingos e feriados, parecia a de um PATRIARCA JUDEU. E, ele o era espiritualmente.
     “O irmão do Barão de Studart tinha na alma e no sangue, algo dos seus antepassados, da linha paterna: qualquer coisa de nômade e de aventureiro”. E, pela etnia materna, o mesmo fenômeno, traçado pelo ATAVISMO: O NORDESTINO DIGA-SE AS PESSOAS MAIS 'ANDEJAS' DO MUNDO. Onde quer que se chegue nós paramos na velha China e no vetusto Japão, encontram-se filhos da terra de IRACEMA (Se o maravilhoso escritor e poeta José Martiniano de Alencar, CEARENSE estivesse vivo, daria, sem dúvida alguma, MARAVILHOSA “QUÁ-QUÁ-QUÁS, pela FRASEOLOGIA citado”).
     “Durante os 30 anos em que esteve no Amazonas, pequenos espaços de tempo permaneceu na sua farmácia”. É que seu espírito de direção, na sua ausência, ficava otimamente entregue ao escalão da competência e da lealdade.
     “Na gíria popular, era homem que não ‘esquentava lugar’”.
     "Itinerante incansável, Carlos Studart derivou repetidas vezes para o Velho Continente (Europa) e, entre 1905 e 1911, cruzou, ora só, ora acompanhado da família, doze vezes o Atlântico (Obra cit.; 31). Em suas excursões, visitou países mais adiantados da Europa, não esquecendo as terras em que nasceram os trisavós, os Studart (Inglaterra).
     “Depois da primeira Grande Guerra, suas viagens, também por várias vezes, era para a sua terra querida, o CEARÁ e para o Rio de Janeiro”.
     “Dentro do Amazonas, consta ter feito, apenas uma viagem: esteve no Rio Juruá, até São Felipe, hoje, Eirunepé”.
     “Em 1921, liquidou seus negócios em Manaus e transferiu-se para São Paulo, fazendo-se industrial, manipulando o seu LEITE DE COLÔNIA, de extraordinária procura”. Com este produto de beleza Carlos Studart recheou sua algibeira, em pouco tempo, tornando-se milionário. Parte de sua fortuna empregou na construção de dois arranha-céus, no Rio de Janeiro, dando a um deles o nome de 'Manaus', grata lembrança da terra hospitaleira.
     "Carlos Studart era um homem franzino. Sua estatura ia pouco acima da meã e nascera com um defeito vocal, que o  privava da articulação perfeita da fonação de certas sílabas. Foi isto, sem dúvida que impressionou o General Osório, quando o rapaz pretendeu seguir o curso das armas. Mas, o destino reservara-lhe uma ÂNFORA DE OURO a esse saudoso e BRAVO CEARENSE, que seria a sua FARMÁCIA STUDART, com o seu trabalho, e ele a fez transbordar. Com o seu espírito de caridade, dessedentou a milhões de pessoas, que iam bater à sua residência.
     "Por ocasião do seu centenário de nascimento, a 28 de março de 1962, recebeu de parentes, amigos, conterrâneos e conhecidos, uma verdadeira CONSAGRAÇÃO. ERA O PRÊMIO DA VIRTUDE, vindo a falecer, no doce aconchego da família e da consternação geral, destacadamente do Amazonas, no Rio de Janeiro, quando já havia completado 103 anos de idade”.

          P.S. *A mais antiga Faculdade de Medicina do Brasil.
       ** A Praça mais CHARMOSA e BONITA do mundo.
       *** Hoje é uma Sapataria, naquela esquina defronte ao prédio da antiga LOBRÁS.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

(VULTOS ANÔNIMOS DA AMAZÔNIA)


MANOEL NICOLAU DE MELO

                                                                 
     Inúmeros foram os nordestinos que vieram para a Amazônia Ocidental e, chegando aqui construíram e deixaram o seu legado como desbravador e pioneiro de uma terra totalmente diferente de sua origem de nascimento.
    "Entre estes está o Capitão Manoel Nicolau de Mello, natural de Pernambuco (Nordeste brasileiro), foi uma figura de destaque, antes do advento da antiga Província do Amazonas, a partir dos meados do século XIX, porém, totalmente
esquecido, hoje, na história deste pujante Estado que e quer por sua inteligência e cultura, quer por suas atitudes pioneiras de desbravador e desbravamento e comércio deveria sempre ser lembrando nos nossos bancos escolares, coisa que não acontece.
     “Moço ainda, seu pensamento voltou-se para o Amazonas, levando recursos monetários e alguns escravos”.
    "Aportando em Manaus, visou a área do Rio Negro*, na época bastante inóspita, para onde partiu, ali começando sua vida no comércio, ao mesmo tempo em que constituindo família. Mas, O Rio Negro não conseguiu prendê-lo.
     "Volta a Manaus, já proclamada a Província**, e é nomeado Escrivão de Justiça, cargo em que poucos meses se demorou.
Ouvira falar no AYAPUÁ, região do Baixo-Purus***, em cujas terras havia grandes castanhais e seringais. Para ali se dirigiu, com sua família, escravos e parentes de sua esposa. A região, somente habitada por índios MURA****, não o decepcionou.
     “Em Manaus, faz publicar no Jornal “ESTRELA DA AMAZONAS”, em 1856, um anúncio convidando gente de trabalho que quisesse residir no Lago do Ayaouá, facilitando transporte e equipamento”.
     "Com pessoal civilizado, começou a colonização daquela zona, ao mesmo tempo que arregimentava os Índios MURAS, em duas tabas ou malocas: a do BACURI e do MAUÉS. Promoveu o plantio de roças de mandioca, milho, cará etc....
     Por volta de 1889 o povoamento havia aumentado consideravelmente. Foi nomeado Delegado de Polícia e Diretor dos Índios.
     "A descendência de Manoel Nicolau de Mello foi grande, constituída pelos seguintes filhos: Lourenço Nicolau de Mello, casado, comerciante, guarda-livros, Deputado Estadual; Leopoldo Nicolau de Mello, casado comerciante; Nunes Alves de Mello,
casado, Piloto fluvial; Virgílio Mello, comerciante; Izabel de Mello Pôrto, viúva; Raymunda de Mello Lorencini, viúva. Mirandolina, todos falecidos, mas deixando muitos filhos e netos que até hoje são PÉROLAS DE ORGULHO para o nosso Amazonas.
      “ Dentre os fatos mais importantes e interessantes na vida deste desbravador Nordestino, Manoel Nicolau de Mello foi o haver comprado, na cidade de Recife - PE, um velho BARCO OCEÂNICO, provido de dois mastros e abundante velame,
próprio para viagens longas. Destinava-se ao transporte de mercadorias entre aquela cidade e o Lago de Ayapuá, constando haver realizado apenas duas missões.
     "O velho pioneiro Manoel Nicolau de Mello faleceu em 1890, após regressar da Europa, onde havia feito uma operação de catarata*****.

        P.S. * Considerado o Rio mais pobre do Amazonas.
          **5 de Setembro de 1850.
          *** Considerado o Rio mais farto do Amazonas.
          **** Segundo a história do Amazonas, os Índios MURA foram os mais bravos do Rio Purus, assim como foram os MANAÓS no Rio Negro.
          *****Opacidade do cristalino, a qual impede a chegado dos raios luminosos à retina. Muito comum naquela época em virtude da defumação do látex amazônico e, hoje, doença bastante comum, mas, com operação de sucesso.
    Em breve citaremos mais alguns nomes desses NORDESTINOS OCULTOS NO AMAZONAS que, em seu tempo, fizeram a verdadeira HISTÓRIA DA AMAZÔNIA.

    

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O DOM ESQUECIDO

                                                                        


     Centralizara-se geral atenção em torno de curiosa palestra referente aos dons com que o Céu aquinhoa as almas, na Terra, quando o Senhor comentou, paciente:
     -Existiu um homem banhado pela graça do merecimento, que recebeu do Alto a permissão de abeirar-se do Anjo Dispensador dos dons divinos que florescem no mundo.
    "Ante o Ministro celeste, o mortal venturoso pediu a bênção da MOCIDADE.

    “Recebeu a concessão, mas, em breve, reconheceu que a juventude poderia ser força e beleza, mas também era inexperiência e fragilidade espiritual e, já desinteressado, voltou ao Doador sublime e solicitou-lhe a RIQUEZA.

    "Conseguiu a abastança e gozou-a longo tempo. reparou com retenção de grandes patrimônios provoca a inveja maligna de muitos. Cansando na defesa laboriosa dos próprios bens, procurou o anjo e rogou-lhe a LIBERDADE.

    "Viu-se realmente livre. No entanto, foi defrontado por cruéis demônios invisíveis que lhe perturbaram a caminhada, enchendo-lhe a cabeça de inquietudes e tentações.
    "Extenuado na posse da nova dádiva e revestiu-se de grande autoridade. Entendeu, porém, mais cedo que esperava que o mando gerasse ódio e revolta nos corações preguiçosos e incompreensíveis e, atormentado pelos estiletes da indisciplina e da discórdia, dirigiu-se ao Benfeitor e implorou-lhe a INTELIGÊNCIA.

     “Todavia, na condição de cientista e homem de letras, perdeu o resto da paz que desfrutava”. Compreendeu, depressa,  que não lhe era possível semear a realidade de acordo com os seus desejos. Para não ser vítima da reação destruidora dos próprios beneficiados, era compelido a colocar um grão de verdade entre MIL FLORES DE FANTASIA PASSAGEIRA e, longe de acomodar-se à situação, tornou à presença do Anjo e pediu-lhe o PATRIMÔNIO FELIZ.
     “Satisfeito  em seu novo desígnio, reconfortou-se em milagroso ninho doméstico, estabelecendo graciosa família, mas, um dia, apareceu a morte e roubou-lhe a companheira”.
     “Angustiado pela viuvez, procurou o Ministro do Eterno e, afirmando que se equivocara, mais uma vez, suplicou-lhe a graça da SAÚDE”.
     “Recebeu a concessão”. Entretanto, logo que se escoaram alguns anos, surgiu a VELHICE e DESFIGUROU-LHE O CORPO, desgastando-o e enrugando-o sem compaixão.
    “Atormentado e incapaz agora de ausentar-se de casa, o ANJO AMIGO veio ao encontro dele e, abraçando-o, partenal, indagou que novo DOM pretendia do Alto”.
    “O infeliz declarou-se em falência”.
    “Que mais poderia pleitear”?
     "Foi então que o glorioso Mensageiro lhe explicou que ele, o candidato à felicidade, SE ESQUECERA DO MAIOR DE TODOS OS DONS QUE PODE SUSTENTAR UM HOMEM NO MUNDO, O DOM DA CORAGEM - que produz entusiasmo e bom ânimo para o serviço indispensável de cada dia...".
    “Jesus Cristo interrompeu-se por alguns minutos; depois”. sorrindo ante a pequena assembleia, rematou:
    -Formosa é a MOCIDADE, agradável é a FORTUNA. admirável é a LIBERDADE, santo é o CASAMENTO VENTUROSO, bendita
é a SAÚDE DA CARNE, mas se o homem não possuir CORAGEM para sobrepor-se aos bens e males da vida humana, a fim de aprender a consolidar-se no caminho para Deus, de pouca utilidade são os dons temporários na experiência transitória.
     E, tomando ao colo um dos meninos presentes, indicou-lhe o firmamento estrelado, como a dizer que somente no Alto a felicidade perene das criaturas encontraria a verdadeira pátria.

                                                           

                                                         Chico Xavier                       

      
Extraído do Livro JESUS NO LAR - p. 115 a 118.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tenha orgulho de ser Maçom!

 O candidato quando é Iniciado, Elevado e Exaltado, fica enlevado com as “histórias” mostradas nos Rituais, baseadas na Bíblia. Fica encantado com os fatos enevoados ligando a Maçonaria com os acontecimentos Bíblicos. Fica convencido e soberbo de saber que, como Maçom, é um descendente direto dos construtores do Templo do Rei Salomão!
De Aprendiz passa para Companheiro e depois para Mestre e, raramente, pergunta quem planejou o Templo ou quem acompanhou todos os trabalhos feitos em ouro, prata e pedras preciosas. Quem esculpiu, quem decorou as obras de arte. Fica  plenamente satisfeito em saber que tudo foi feito por Hiram , que era o filho de uma viúva da tribo de Naftali.
Com o passar do tempo, ele lê alguns livros maçônicos idôneos, e fica assombrado e chocado ao aprender que, sem dúvida alguma, os atuais Maçons são descendentes dos construtores das catedrais, na Idade Média, da Inglaterra, Alemanha, França, etc, etc.
Seu panorama mental sobre a Maçonaria fica nublado, seu orgulho fica abalado e sua admiração, contentamento no seu curto sonho maçônico fica minimizado.
Isto é um retrato real e frequentemente ocorre!
O que deve ficar claro para todos nós é que os Maçons não são descendentes de simples trabalhadores. Nossos ancestrais não eram simples talhadores de pedras, pedreiros, escultores, etc. Eles eram os maiores artistas, especialistas em trabalhar e construir em pedras na Idade Média.
Poucos homens podem construir um galpão usando serrote, martelo e pregos. Mas, a maioria deles não consegue construir a sua própria moradia. Eles não sabem como ler uma planta. Eles nada sabem sobre resistência dos materiais. Eles nada sabem sobre códigos de construções. Para obter sua casa eles precisam empregar um arquiteto e um construtor, os quais tenham o conhecimento especializado requerido.
Hoje em dia nós temos a eletrônica e os computadores, mas na Idade Média, todo esculpido era obra da experiência e da habilidade manual. Não havia livros e desenhos especializados.
Mesmo hoje, as modernas construções dificilmente se igualam na beleza das proporções, no vigor, na suntuosidade e na magnificência das Catedrais, dos Castelos, dos Mosteiros, das Abadias feitas pelos Mestres Construtores dos quais a Maçonaria é descendente.
Pessoas simples não fariam esse tipo de construção, cuja estrutura, grandeza, resistência e beleza, desafiam os séculos, nas intempéries e nas guerras.
Nossa Ordem escolhe hoje em dia, os futuros Aprendizes, com bastante critério. Os construtores de Catedrais da Idade Média também procuravam e escolhiam aqueles que tinham conhecimento, caráter e habilidade para aprender. Quando se tornavam Companheiros, tinham orgulho de seu trabalho. Sabiam que não podia falhar e davam o melhor de si, por toda sua vida.
Não é este, para todos nós, o maior motivo de orgulho, em sermos descendentes desses homens especiais?